quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aprendendo a blogar


Eu não costumo ler o que escrevo, de vez em quando reviso, mas escrever me cansa, apesar de gostar de expor minhas idéias em palavras, creio que me viro melhor desenhando e pintando. Tenho descoberto o scanner como um bom companheiro, do meu lado, como eu nunca o tive antes para registrar meus trabalhos. Então estou aos poucos abrindo gavetas e estantes, coisas antigas. A partir deles surgem as lembranças desde 1990 e poucos, época que comecei a anotar com mais frequência e em cadernos.
Achava que era organizado, mas tenho descoberto que guardar não é organizar... Tenho tudo guardado, só não sei onde está... Não encontro lógicas organizadoras, pois faço coisas que não consigo classificar. Talvez alguém tipo bibliotecário possa me dar uma luz?

Segue um desenho feito em Caraíva(s?), BA, que gosto muito pela simplicidade cromática e elegância das linhas. Lembro até hoje daquela manhã, muito ensolarada, ressaca do Réveillon, sem quase ter dormido, fui tomar café da manhã na Duca. A entradinha era pão integral com missô. Nunca tinha pensado nessa combinação, pão com missô... Nada mau. Enquanto esperava o café chegar, fiquei pintando. Pronto, agora fiquei com fome. Essa estranha estrutura não lembro se continuava ou tinha alguma função, pois parei ao chegar o café, o suco e outras guloseimas deliciosas da Duca.




Aquarela Watercolor Presente Gift



Aquarela Watercolor Presente Gift

Aquarela de Olinda, do alto da Sé, vendo Recife ao fundo.




Aquarela Aquarelas Watercolor

Aquarela Watercolor Presente Gift

Aquarela - Print
Impressão Digital em diversos formatos. Sob encomenda. 

terça-feira, 19 de julho de 2011

STA - um charmoso espaço multi uso com atelier, galeria, bar e produção de audiovisual



O STA (abreviação para Santa Madalena) é um espaço que ocupa o antigo restaurante Santa Madalena, fundado pelo produtor, diretor e roterista Sergio Gagliardi e pela chef Lucia Sequerra em 2001, e que se tornou referência gastronômica em São Paulo nesta primeira década do séc. XXI.
Após dez anos de funcionamento novos projetos se fundiram para a criação de um local multidisciplinar, onde se apresenta um espaço expositivo, e também local para debates, palestras, encontros, seminários e workshops.
O que se quer é oferecer um espaço aberto para as questões de arte e urbanidade, com ênfase na cidade de são Paulo, ou na vida metropolitana, seja ela local ou globalizada.

29/14/2025
O Santa não abre mais. Bons tempos. 



terça-feira, 12 de julho de 2011

Caderno 0708 Tokyo - Impressões Digitais com tiragem limitada


Obra realizada no Japão.

Este caderno me acompanhou durante um ano e meio, entre 2007 e 2008. Sempre gostei de fazer desenhos nas minhas viagens. Estava no Japão desde 2001, e em 2006 mudamos definitivamente para Tokyo,
após morar em Kawaguchi e Fukaya.

Porque fiz o caderno

Em Tokyo, trabalhando como designer gráfico no jornal IPC, andava de trem e metrô todos os dias, coisa que detesto. Gosto mesmo é de andar de carro. mas trabalhar de carro todos os dias em Tokyo é, senão impossível, desaconselhável... Ao menos, é pontualíssimo e confortável.

Poderia ler, como todo mundo, mas gostava de ficar prestando atenção nas coisas, qualquer coisa, como cartazes de publicidade, as pessoas, roupas, etc. Afinal, era tudo muito diferente do Brasil. E tinha a questão de querer saber o que estava escrito. Leio japonês em nível intermediário, de modo que muita coisa passava batido. Anotava em um papel qualquer, pra depois buscar no dicionário. e é batata que eu sempre desenho quando tenho papel na mão. E achei um desperdício perder essas anotações. Então decidi ter um bloquinho legal para fazer isso com um sentido, que foi sendo construído aos poucos.

Não demorou muito para eu comprar esse caderninho, escolhido a dedo na Ginza Ito-ya, a melhor loja de material para desenho e pintura, uma delícia se perder nos 9 andares cheios de materiais para artistas, designers e coisas de papelaria fina. O problema do caderno era o tamanho, pois pra carregar pra lá e pra cá, precisava ser pequeno, caber em qualquer lugar, pois não gosto de andar carregado. Resisti à tentação de formatos maiores, e decidi por esse Montval Canson Watercolour F0, por caber em minha bolsinha, junto com a caneta nankin Rotring 0,1 mm.

Como o caderno foi sendo preenchido
... E o caderno se tornou um companheiro de um ano e meio, sempre comigo nos momentos de espera.

Dentro do trem, fixava o olhar em pessoas dormindo, bolsas, pés, sapatos, marcas, enfim toda a miscelânea de detalhes da cidade. Gostava especialmente de sentar em um parquinho depois do almoço, e ficar refletindo e desenhando alguns minutos ao sol do inverno.
Quando enfrentava filas de banco, prefeitura, etc., sacava o caderno da bolsa e ficava rabiscando.

A densidade dos desenhos é proposital, assim como uma aparente aleatoriedade. Procurei exercitar a composição aleatória, como uma referência à aleatoriedade da memória. Ao invés de anotar os grandes lugares ou pontos turísticos como fazia nos cadernos de viagem, procurei o banal, o cotidiano. Anotações, continhas, números de telefone, lista de compras e outras anotações que faço em qualquer papel, deixei entrar nessa obra.

Assim, eu não sabia no que ia dar, mas sabia que o tempo e a disciplina de anotar trariam ao desenho uma densidade há muito desejada. Quem conhece minhas aquarelas pode notar a variação de densidades com que trabalho normalmente.

A vivência no Japão, devido ao meu pequeno espaço disponível, ajudou a intensificar a densidade em obras de tamanho pequeno, o que foi muito legal. Busquei esse caminho em obras tais como Transnacional (2004) e Algo entre o vazio e o confuso (2005).

Eu confesso que detesto andar de transporte coletivo, exceto navio, avião ou trem de alta velocidade... Mas em Tokyo, me conformei com o metrô e o trem, pois era possível desenhar, escrever, ler. Meus trajetos eram curtos, mas sempre dava para fazer um rabisquinho aqui e ali, durante os 10 ou 15 minutos de viagem. Se fosse calcular o tempo que levei para fazer cada um, diria que alguns dias.

Uma das coisas que concluí com esse processo de trabalho, é que a obra adquire um bom peso visual por um fator: quando fico horas trabalhando em cima de uma coisa só, acontece o que chamo de cansaço emocional. Por que as idéias acabam ou fico na dúvida. Ou fico com dó de estragar uma parte que achei boa. Ou então, não sei o que fazer, simplesmente. Preguiça, sono. e se continuo trabalhando assim, começa a ficar ruim.

Ter de parar porque chegou minha estação, por vezes era ruim, porque queria terminar algo, que ficava incompleto. Mas na maioria das vezes, era ótimo. O pensamento recorrente era:

 - OK, já fiz o pedacinho da manhã.

E todas as vezes que pegava o trem, ou ficava na estação esperando, era ótimo pegar meu companheiro, falar alô pra ele, dar um trato.

Claro, muitas vezes saía para passear com ele, numa livraria ou parque, exposição ou museu. Uma anotaçãozinha aqui outra ali tomando um café no Starbucks, em Ginza, Roppongi, Harajuku ou Azabu Juban. E em casa, desenhava os cachorrinhos, a Elisa.

As anotações não eram feitas página por página. Ia de uma a outra, conforme a vontade de trabalhar texturas ou desenhar mais um rosto ou mais uma caricatura da Hannah-tian ou da Marina, nossas cachorrinhas.


A coisa da língua japonesa


As anotações em japonês eram em parte estudo da língua, e em parte uma reflexão sobre ser analfabeto. Não saber japonês - claro que sei o suficiente para sobreviver - em profundidade, fazia com que as letrinhas misteriosas fossem anotadas por pura curiosidade. Depois ia correndo ao dicionário para descobrir coisas tipo - "tome cuidado ao sair do trem" - ou "Visite as ilhas do Sul" e coisas assim, sem pé nem cabeça, mas porque as letras eram bonitinhas, eu as copiava.

Em relação à lingua japonesa, além de ser analfabeto, me sentia também um bebê... Afinal de contas, no começo, também não sabia falar... kkk, eu gostava de pensar nisso como uma espécie de dádiva, um retorno à infância. Túnel do tempo. Passei a procurar livros infantis para aprender japonês. Claro que adoro mangá, animê. Mas mesmo sendo de nível infantil, muita coisa era difícil de ler.

As anotações em japonês tem coisas prosaicas, tais como o nome das estações do metrô ou de trem de casa até o escritório. Um cartaz de rua, coisas assim. E muitas anotações em inglês, pois foi minha primeira língua lá, a que eu mais usei para me comunicar de verdade e com fluência, voltando a me sentir adulto de novo, infelizmente. Fora de casa, pensava mais em inglês do que em português, as idéias vinham assim. Não acho isso ruim, mas de vez em quando dava uns tilts.

Conceitos criativos

Desde o início houve uma intenção de deixar fluir as idéias, sem se preocupar com nada preestabelecido, mas sempre com uma preocupação com a qualidade visual ao final. Um dos trabalhos a que me proponho como desafio criativo é fazer algumas melecas, bagunçar o coreto, para depois, pacientemente intervir, organizando através de outros elementos, formando um tessitura que ao mesmo tempo é caótica, ao mesmo tempo está estabilizada. Isso vem de uma idéia de longa data, desde que tomei contato com o estudo das cidades e do urbanismo. Como fazer para melhorar a cidade? Acredito agora mais em requalificação de espaços do que em grandes intervenções, que considero desumanas. Nessa senda, o caos inicial pode adquirir uma riqueza muito mais agradável e humana do que a lisura moderna cristalina etérea e fria, mesmo bem desenhada e acabada.

Tokyo e São Paulo
Tokyo se assemelha um pouco a São Paulo em termos de caos visual, com uma pequena/grande diferença de qualidade no transporte coletivo e vias expressas... Mas tem congestionamentos gigantes, trens e metrô abarrotados na hora do rush... Com ar condicionado em tudo e atendimento gentil e eficiente. Uma coisa achei muito legal, apesar de à primeira vista achar perturbadora: nas áreas mais densas e valorizadas, ocupam os baixos dos viadutos para lojas, restaurantes e outros comércios, humanizando a relação do pedestre em relação a grandes estruturas. Não é como a terra de ninguém debaixo do Minhocão em Sampa City.

Uma coisa eu não gostava: o alto nível de industrialização da construção gerava um padrão subliminar em quase tudo que eu via, pois devido à estandartização dos módulos, placas e outros elementos construtivos, quase tudo entra dentro desse grid, o que torna a coisa um tanto monótona, pasteurizada e plastificada em excesso, ao menos para mim.

Em São Paulo não temos esse problema. Nosso caos é legítimo, original. Cada um faz de um jeito, o que torna nosso ambiente urbano muito rico visualmente, ainda que mal acabado.

Cores e aquarelas
As cores metálicas são de um conjunto de canetas brilhantes de última geração, os japoneses são tarados por canetas, e tem tanta coisa que é difícil escolher. Comprei por causa da minha paixão pelo Klimt, e não achei ruim incorporar as canetinhas douradas ao traço delicado da caneta nankin 0,1 mm e à aquarela. Era muito raro poder montar o cirquinho da aquarela no trem, mas às vezes eu fazia isso, sob os olhares curiosos dos japoneses.

A aquarela vinha quando eu estava num café ou parque, passeando. Mas muitas vezes trabalhava em aquarelas soltas, deixando o caderninho para o trem, fila ou metrô. Fazia uma mancha ou outra, ficava bom e eu parava. Tinha de secar. Esse também foi um motivo porque eu não fazia muito no trem, pois depois ia borrar tudo. De vez em quando borrava, mas até que não achei mal. Se ficava bom deixava, ou retrabalhava para equilibrar o conjunto.

Quanto a ser uma obra para ser apresentada ao público, não tinha essa certeza, pois o tamanho minúsculo não era o que se podia chamar de impressionante. Foi o Jefferson Keese e o Jurandy Valença que me incentivaram a ampliar, e aí está essa série limitada de impressões digitais. São cinco de cada página, e selecionei 10 para apresentar ao público.

Quanto ao caderno, a Elisa gostou tanto dele, especialmente por ter desenhos dos nossos cachorros, que eu dei para ela de presente, quando decidi comprar outros cadernos e trabalhar em outras idéias. Estava lá em Tokyo, pendurado na parede do escritório dela.